Professores criticam Enade e dizem que método não pode ser encarado como retrato da realidade
O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) se propõe a avaliar o rendimento dos alunos do ensino superior brasileiro em relação aos conteúdos oferecidos em sala, bem como suas habilidades e aproveitamento. Mas questionados sobre a eficácia da ferramenta avaliativa, alguns professores universitários apontaram falhas e levantaram questionamentos.
Para Gilvan Araújo, professor do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá – BH (Fes-bh), a prova, apesar de bem elaborada, não pode ser tida como a melhor maneira de avaliar o ensino de terceiro grau. “Não podemos ver o Enade como única e melhor forma de avaliação de conhecimento do estudante. Percebo que a vivência, a experiência e a troca na própria sala de aula, adquiridas durante o curso também deveriam ser levadas em conta de alguma forma”, aponta. O professor destaca também que uma prova, por ser algo rígido e pragmático, não é suficiente para retratar uma realidade como verdade absoluta.
Outra crítica apontada em relação ao Enade é em relação ao próprio sistema educacional brasileiro. Evaldo Magalhães, também professor do curso de jornalismo da Fes-Bh, diz que há exageros por parte do Ministério da Educação. "Os estudantes já vêm para o ensino superior despreparados. É cobrado dos alunos algo que eles não podem dar devido à própria ineficácia dos ensinos básico e médio", denuncia. O professor questiona ainda a abundância de faculdades abertas Brasil afora, incentivadas pelo governo e que hoje encontram-se sucateadas. "O ensino superior se transformou em uma espécie de roda da fortuna para a iniciativa privada", critica.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
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