quinta-feira, 8 de outubro de 2009

É preciso reavaliar

Professores criticam Enade e dizem que método não pode ser encarado como retrato da realidade
O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) se propõe a avaliar o rendimento dos alunos do ensino superior brasileiro em relação aos conteúdos oferecidos em sala, bem como suas habilidades e aproveitamento. Mas questionados sobre a eficácia da ferramenta avaliativa, alguns professores universitários apontaram falhas e levantaram questionamentos.

Para Gilvan Araújo, professor do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá – BH (Fes-bh), a prova, apesar de bem elaborada, não pode ser tida como a melhor maneira de avaliar o ensino de terceiro grau. “Não podemos ver o Enade como única e melhor forma de avaliação de conhecimento do estudante. Percebo que a vivência, a experiência e a troca na própria sala de aula, adquiridas durante o curso também deveriam ser levadas em conta de alguma forma”, aponta. O professor destaca também que uma prova, por ser algo rígido e pragmático, não é suficiente para retratar uma realidade como verdade absoluta.

Outra crítica apontada em relação ao Enade é em relação ao próprio sistema educacional brasileiro. Evaldo Magalhães, também professor do curso de jornalismo da Fes-Bh, diz que há exageros por parte do Ministério da Educação. "Os estudantes já vêm para o ensino superior despreparados. É cobrado dos alunos algo que eles não podem dar devido à própria ineficácia dos ensinos básico e médio", denuncia. O professor questiona ainda a abundância de faculdades abertas Brasil afora, incentivadas pelo governo e que hoje encontram-se sucateadas. "O ensino superior se transformou em uma espécie de roda da fortuna para a iniciativa privada", critica.

domingo, 4 de outubro de 2009

Fim da linha?


Para o quase jornalista, Cirdes Lopes, a graduação deve, sobretudo, despertar consciências

O aluno do oitavo período do curso de jornalismo, Cirdes Lopes, de 24 anos, tem se debruçado nos últimos meses ao estudo da comunicação popular. Intitulado “Comunicação Popular: Análise jornalística do programa Rede Jovem de Cidadania (2002 – 2008)”, seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem o objetivo de analisar o produto de comunicação que, segundo ele, se encaixa nos moldes da comunicação comunitária. Cirdes conta que sempre se interessou pelo tema, e ao ter contato com os textos de Teorias do Jornalismo, de Felipe Pena, teve certeza do que seria seu trabalho.

“Meu objetivo é trazer à tona a importância de tais formas de se comunicar, tão importantes para a democratização da comunicação, muito citada hoje em dia”, observa.

Mudança de planos

Ao entrar na faculdade em 2006, Cirdes pensava seguir o curso de Publicidade, mas mudou de ideia logo no início da graduação. “Quero, com o curso de jornalismo, poder lutar por uma causa justa, ir, por exemplo, para campos de refugiados e poder ser útil. Talvez, na publicidade, seria só mais um megafone para o capitalismo, mas não quero ser um ‘anunciou, vendeu’, simplesmente”, pontua. Para o estudante, a faculdade deve ser um lugar de transformação de si mesmo e da sociedade. Segundo ele, as universidades deveriam investir mais na prestação de serviços comunitários, utilizando os próprios alunos em seus projetos.

Dentro desta perspectiva, o aluno acredita que as pesquisas que vem desenvolvendo para a conclusão de seu trabalho final, contribuem para sua formação não apenas acadêmica, mas humana. “O projeto tem me feito olhar para mim mesmo, ao me deparar com tantos conceitos. Tenho certeza de que depois de tudo, sairei da faculdade uma pessoa melhor”, finaliza.

A menos de três meses do término do curso e da entrega de sua monografia, Cirdes diz estar ansioso, mas certo de que fez o melhor que pôde o seu dever de casa.

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